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SANTA MISSA COM OS BISPOS, O CLERO,OS RELIGIOSOS E RELIGIOSAS DA PENSILVÂNIAHOMILIA DO SANTO PADRE

[…] Uma tal história é visível nos muitos santuários espalhados por esta cidade, nas
suas inúmeras paróquias, cujas agulhas e campanários falam da presença de Deus
no meio das nossas comunidades. Vemo-la também nos esforços de todos aqueles
sacerdotes, religiosos e leigos que, com dedicação, ao longo de dois séculos,
trabalharam pelas necessidades espirituais dos pobres, dos imigrantes, dos doentes
e dos encarcerados. Vemo-la também nas inúmeras escolas onde consagrados e
consagradas ensinaram as crianças a ler e a escrever, a amar a Deus e ao próximo,
e a contribuir como bons cidadãos para a vida da sociedade americana. Tudo isto é
a herança verdadeira que recebestes e que sois chamados a enriquecer e
transmitir. […]

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VISITA AO COLÉGIO NOSSA SENHORA RAINHA DOS ANJOSE ENCONTRO COM CRIANÇAS E FAMÍLIAS DE IMIGRANTESDISCURSO DO SANTO PADRE

[…] Muito perto daqui há uma rua muito importante com o nome duma pessoa que
fez muito bem pelos outros e que quero recordar convosco. Refiro-me ao Pastor
Martin Luther King. Um dia disse ele: «Tenho um sonho». E sonhou que muitas
crianças, muitas pessoas haveriam de ter igualdade de oportunidades. Sonhou que
muitas crianças como vós haveriam de ter acesso à educação. E sonhou que muitos
homens e mulheres, como vós, pudessem ter a cabeça bem erguida, com a
dignidade de quem pode vencer na vida. É bom ter sonhos e é bom poder lutar
pelos sonhos. Não vos esqueçais..[…]

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VÉSPERAS COM O CLERO E OS RELIGIOSOSHOMILIA DO SANTO PADRE

[…] Um novo perigo surge quando nos tornamos ciosos do nosso tempo livre,
quando pensamos que rodear-nos de comodidades mundanas ajudar-nos-á a servir
melhor. O problema, com este modo de raciocinar, é que pode ofuscar a força da
chamada diária de Deus à conversão, ao encontro com Ele. Pouco a pouco mas
seguramente vai diminuindo o nosso espírito de sacrifício, o nosso espírito de
renúncia e de laboriosidade. E afasta também as pessoas que padecem pobreza
material, vendo-se obrigadas a fazer sacrifícios maiores do que os nossos, sem
serem consagrados. O repouso é uma necessidade, como o são os momentos de
tempo livre e de restauração pessoal, mas devemos aprender a descansar de forma
que aprofunde o nosso desejo de servir de modo generoso. A proximidade aos
pobres, refugiados, imigrantes, doentes, explorados, idosos que sofrem a solidão,
encarcerados e muitos outros pobres de Deus ensinar-nos-á outro tipo de repouso,
mais cristão e generoso. […]

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VISITA AO CONGRESSO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICADISCURSO DO SANTO PADRE

[…] Penso também na marcha que Martin Luther King guiou de Selma a
Montgomery, há cinquenta anos, como parte da campanha para conseguir o seu
«sonho» de plenos direitos civis e políticos para os afro-americanos. Aquele sonho
continua a inspirar-nos. Alegro-me por a América continuar a ser, para muitos, uma
terra de «sonhos»: sonhos que levam à acção, à participação, ao compromisso;
sonhos que despertam o que há de mais profundo e verdadeiro na vida das
pessoas. Nos últimos séculos, milhões de pessoas chegaram a esta terra
perseguindo o sonho de construírem um futuro em liberdade. Nós, pessoas deste
continente, não temos medo dos estrangeiros, porque outrora muitos de nós
éramos estrangeiros. Digo-vos isto como filho de imigrantes, sabendo que também
muitos de vós sois descendentes de imigrantes. Tragicamente, os direitos daqueles
que estavam aqui, muito antes de nós, nem sempre foram respeitados. Por aqueles
povos e as suas nações, desejo, a partir do coração da democracia americana,
reafirmar a minha mais alta estima e consideração. Aqueles primeiros contactos
foram muitas vezes tumultuosos e violentos, mas é difícil julgar o passado com os
critérios do presente. Todavia, quando o estrangeiro no nosso meio nos interpela,
não devemos repetir os pecados e os erros do passado. Devemos decidir viver
agora o mais nobre e justamente possível e, de igual modo, formar as novas
gerações para não virarem as costas ao seu «próximo» e a tudo aquilo que nos
rodeia. Construir uma nação pede-nos para reconhecer que devemos
constantemente relacionar-nos com os outros, rejeitando uma mentalidade de
hostilidade para se adoptar uma subsidiariedade recíproca, num esforço constante
de contribuir com o melhor de nós. Tenho confiança que o conseguiremos.
O nosso mundo está a enfrentar uma crise de refugiados de tais proporções que
não se via desde os tempos da II Guerra Mundial. Esta realidade coloca-nos diante
de grandes desafios e decisões difíceis. Também neste continente, milhares de
pessoas sentem-se impelidas a viajar para o Norte à procura de melhores
oportunidades. Porventura não é o que queríamos para os nossos filhos? Não
devemos deixar-nos assustar pelo seu número, mas antes olhá-los como pessoas,
fixando os seus rostos e ouvindo as suas histórias, procurando responder o melhor
que pudermos às suas situações. Uma resposta que seja sempre humana, justa e
fraterna. Devemos evitar uma tentação hoje comum: descartar quem quer que se
demonstre problemático. Lembremo-nos da regra de ouro: «O que quiserdes que
vos façam os homens, fazei-o também a eles» (Mt 7, 12).
Esta norma aponta-nos uma direcção clara. Tratemos os outros com a mesma
paixão e compaixão com que desejamos ser tratados. Procuremos para os outros as
mesmas possibilidades que buscamos para nós mesmos. Ajudemos os outros a

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crescer, como quereríamos ser ajudados nós mesmos. Em suma, se queremos
segurança, demos segurança; se queremos vida, demos vida; se queremos
oportunidades, providenciemos oportunidades. A medida que usarmos para os
outros será a medida que o tempo usará para connosco. A regra de ouro põe-nos
diante também da nossa responsabilidade de proteger e defender a vida humana
em todas as fases do seu desenvolvimento.
[…]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCOAOS PARTICIPANTES NO ENCONTRO PROMOVIDOPELO PONTIFÍCIO CONSELHO “COR UNUM”

Estimados irmãos e irmãs!
[…] Um dos dramas humanitários mais opressivos das últimas décadas é
representado pelas terríveis consequências que os conflitos na Síria e no Iraque
têm sobre as populações civis, bem como sobre o património cultural. Milhões de
pessoas vivem numa preocupante condição de necessidade urgente, e são
obrigadas a deixar as suas terras de origem. Hoje, o Líbano, a Jordânia e a Turquia
carregam o peso de milhões de refugiados, por eles generosamente acolhidos.
Diante deste cenário e de conflitos que se vão propagando e preocupam de maneira
inquietante os equilíbrios internos e regionais, a comunidade internacional não
parece capaz de encontrar respostas adequadas, enquanto os traficantes de armas
continuam a promover os próprios interesses. […]

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ENCONTRO COM OS BISPOS DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICADISCURSO DO SANTO PADRE

.[…] A minha segunda recomendação diz respeito aos imigrantes. Peço desculpa se
falo em causa que de certo modo vos é própria. A Igreja dos Estados Unidos
conhece, como poucas, as esperanças dos corações dos peregrinos. Desde sempre
aprendestes a sua língua, sustentastes a sua causa, integrastes as suas
contribuições, defendestes os seus direitos, favorecestes a sua busca da
prosperidade, conservastes acesa a chama da sua fé. Mesmo agora nenhuma
instituição americana faz mais pelos imigrantes do que as vossas comunidades
cristãs. Neste momento, tendes esta longa vaga de imigração latina que investe
muitas das vossas dioceses. Não só como Bispo de Roma, mas também como
pastor vindo do Sul, sinto a necessidade de vos agradecer e encorajar. Talvez não
vos seja fácil ler a sua alma; talvez vos sintais desafiados pela sua diversidade.

Sabei, no entanto, que também possuem recursos para partilhar. Por isso, acolhei-
os sem medo. Oferecei-lhes o calor do amor de Cristo e decifrareis o mistério do

seu coração. Estou certo de que, mais uma vez, estas pessoas enriquecerão a
América e a sua Igreja.[…]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCOAOS BISPOS ORDENADOS DURANTE O ANO

Caríssimos Irmãos no Episcopado
A paz esteja convosco!
[…] Penso nos desafios dramáticos, como a globalização que aproxima aquilo que
está distante mas, por outro lado, separa quantos estão próximos; penso no
fenómeno histórico das migrações, que transtorna os nossos dias; penso no
ambiente natural, jardim que Deus ofereceu como habitação ao ser humano e às
outras criaturas, e que continua a ser ameaçado pela exploração míope e muitas
vezes predatória; penso na dignidade e no futuro do trabalho do homem, dos quais
estão desprovidos gerações inteiras, reduzidas a estatísticas; penso na
desertificação dos relacionamentos, na desresponsabilização difundida, no
desinteresse pelo porvir, no fechamento crescente e assustador; na perdição de
tantos jovens e na solidão de numerosas pessoas idosas. Estou convicto de que
cada um de vós poderia completar este catálogo de problemáticas. […]

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ANGELUS

APELO
Amados irmãos e irmãs!
A Misericórdia de Deus é reconhecida através das nossas obras, como nos
testemunhou a vida da beata Madre Teresa de Calcutá, da qual ontem recordámos
o aniversário da morte.
Face à tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte devido à
guerra ou à fome, e estão a caminho rumo a uma esperança de vida, o Evangelho
chama-nos, pede-nos que estejamos «próximos», dos mais pequeninos e
abandonados. A dar-lhes uma esperança concreta. Não dizer apenas: «Coragem,
paciência!…». A esperança cristã é combativa, com a tenacidade de quem caminha
rumo a uma meta segura.
Portanto, ao aproximar-se o Jubileu da Misericórdia, dirijo um apelo às paróquias,
às comunidades religiosas, aos mosteiros e aos santuários de toda a Europa a
expressar o aspecto concreto do Evangelho e a acolher uma família de refugiados.
Um gesto concreto em preparação para o Ano Santo da Misericórdia.
Cada paróquia, cada comunidade religiosa, cada mosteiro, cada santuário da
Europa hospede uma família, começando pela minha diocese de Roma.
Dirijo-me aos meus irmãos Bispos da Europa, verdadeiros pastores, para que nas
suas dioceses apoiem este meu apelo, recordando que Misericórdia é o segundo
nome do Amor: «Tudo o que fizerdes a um só destes meus irmãos mais
pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
Também as duas paróquias do Vaticano acolherão nestes dias duas famílias de
refugiados.

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ANGELUS

Depois do Angelus
[…] Infelizmente, inclusive nos dias passados numerosos migrantes perderam a
vida nas suas viagens terríveis. Por todos estes irmãos e irmãs, rezo e convido a
rezar. De modo particular, uno-me ao Cardeal Schönborn — que hoje está aqui
presente — e a toda a Igreja na Áustria, em oração pelas setenta e uma vítimas,
entre as quais quatro crianças, que foram encontradas num camião na rodovia
entre Budapeste e Viena. Confiemos cada uma delas à misericórdia de Deus; e
peçamos-lhe que nos ajude a cooperar com eficácia para impedir estes crimes, que
ofendem toda a família humana. Oremos em silêncio por todos os migrantes que
sofrem e por quantos perderam a vida.[…]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCOAOS PARTICIPANTES NO SIMPÓSIO INTERNACIONALSOBRE A PASTORAL DA ESTRADAPROMOVIDO PELO PONTIFÍCIO CONSELHOPARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES

Cari fratelli e sorelle, buongiorno.
[…] As realidades, por vezes muito tristes, que encontrais são causadas pela
indiferença, pobreza, violência familiar e social, e pelo tráfico das pessoas
humanas. Além disso, não falta o sofrimento devido às separações conjugais e ao
nascimento de crianças fora do matrimónio, destinadas com frequência a uma vida
«vadia». As crianças e as mulheres que vivem na rua não são números, não são
«pacotes» para trocar; são seres humanos com um nome e um rosto, com uma
identidade doada por Deus a cada uma delas. São filhos de Deus como nós, iguais a
nós, com os nossos mesmos direitos.[…]
[…] É preocupante constatar que está a aumentar o número das jovens e das
mulheres obrigadas a ganhar a vida pela estrada, vendendo o próprio corpo,
exploradas pelas organizações criminosas e, às vezes, por parentes e familiares.
Esta realidade é uma vergonha das nossas sociedades que se vangloriam de ser
modernas e de ter alcançado altos níveis de cultura e de desenvolvimento. A
corrupção difundida e a busca do lucro a qualquer preço privam os inocentes e os
mais débeis das oportunidades de uma vida digna, alimentam a criminalidade do
tráfico e outras injustiças que pesam sobre os seus ombros. Ninguém pode
permanecer inerte perante a necessidade urgente de salvaguardar a dignidade da
mulher, ameaçada por factores culturais e económicos! […]