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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS MEMBROS DO “JESUIT REFUGEE SERVICE”

Amados irmãos e irmãs!
Dou-vos as boas-vindas por ocasião do 35o aniversário de fundação do Jesuit
Refugee Service, querido pelo padre Pedro Arrupe, na época Superior-Geral da
Companhia de Jesus. A impressão e a angústia por ele sentidas face às condições
dos boat people do Vietname do Sul, expostos aos ataques dos piratas e às
tempestades no Mar Chinês Meridional, induziram-no a tomar esta iniciativa.

O padre Arrupe, que tinha vivido a explosão da bomba atómica em Hiroshima, deu-
se conta das dimensões daquele trágico êxodo de refugiados. Nele reconheceu um

desafio que os Jesuítas não podiam ignorar, se quisessem permanecer fiéis à sua
vocação. Quis que o Jesuit Refugee Service fosse ao encontro das necessidades
quer humanas quer espirituais dos refugiados, portanto não só das suas imediatas
necessidades de alimentação e asilo, mas também das exigências de ver respeitada
a sua dignidade ferida, e de ser ouvidos e confortados.
O fenómeno das migrações forçadas hoje aumentou dramaticamente. Multidões de
refugiados partem de diversos países do Médio Oriente, da África e da Ásia,
procurando refúgio na Europa. O Alto Comissariado para os Refugiados das Nações
Unidas avaliou que existem, em todo o mundo, quase 60 milhões de refugiados, o
número mais elevado depois da segunda Guerra Mundial. Por detrás destas
estatísticas há pessoas, cada uma com um nome, um rosto, uma história, e a sua
inalienável dignidade de filhos de Deus.
Vós trabalhais actualmente em dez regiões diversas, com projectos em 45 países,
acompanhando refugiados e populações nas migrações internas. Um bom grupo de
Jesuítas e de religiosas trabalham juntamente com tantos colaboradores leigos e
com muitíssimos refugiados. Com o tempo, permanecestes sempre fiéis ao ideal do
padre Arrupe e aos três pontos fundamentais da vossa missão: acompanhar, servir,
defender os direitos dos refugiados.
A escolha de estar presentes nos lugares onde há mais necessidades, em zonas de
conflito e de pós-conflito, tornou-vos internacionalmente conhecidos por estardes
próximos das pessoas, capazes de aprender delas como servir melhor. Penso
sobretudo nos vossos grupos na Síria, no Afeganistão, na República Centro-Africana
e na zona oriental da República Democrática do Congo, onde são acolhidas pessoas
de diversas crenças que partilham a vossa missão.
O Jesuit Refugee Service trabalha para oferecer esperança e futuro aos refugiados,
antes de tudo mediante o serviço da educação, que abrange um grande número de
pessoas e reveste especial importância. Oferecer educação é muito mais do que
dispensar noções. É uma intervenção que oferece aos refugiados algo pelo qual ir
além da sobrevivência, manter viva a esperança, acreditar no futuro e fazer
projectos. Dar às crianças um banco de escola é a melhor prenda que se possa
oferecer. Todos os vossos programas têm esta finalidade última: ajudar os
refugiados a crescer na confiança em si mesmos, a realizar o máximo do seu

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potencial e a pô-los em condições de defender os próprios direitos como indivíduos
e como comunidade.
Para as crianças obrigadas a emigrar, as escolas são espaços de liberdade. Na
classe, são apoiadas pelos professores e protegidas. Infelizmente, sabemos que
nem sequer as escolas são poupadas pelos ataques de quem semeia a violência. Ao
contrário as salas de aula são lugares de partilha, também com crianças de
culturas, etnias e religiões diferentes, onde se segue um ritmo regular, uma ordem
agradável, na qual as crianças podem sentir-se de novo «normais», e os pais felizes
por saber que elas estão na escola.
A instrução oferece aos pequeninos um caminho para descobrir a sua vocação
autêntica, desenvolvendo as suas capacidades. Todavia, demasiadas crianças e
jovens refugiados não recebem uma educação de qualidade. O acesso à educação é
limitado, sobretudo às jovens e à escola secundária. Por isso, durante o próximo
Jubileu da Misericórdia, estabelecestes o objectivo de ajudar outros 100.000 jovens
refugiados a frequentar a escola. A vossa iniciativa de «Educação Global», com o
mote «Ponhamos em acção a Misericórdia», far-vos-á alcançar muitos outros
estudantes, que têm urgente necessidade de uma educação que os ponha ao abrigo
dos perigos. Por isso, estou grato ao grupo de voluntários e benfeitores e ao grupo
internacional de desenvolvimento do Jesuit Refugee Service, que hoje se uniram a
nós. Graças à sua energia e ao seu apoio, a misericórdia do Senhor alcançará
muitas crianças e famílias nos próximos anos.
Enquanto prosseguis a obra de educação dos refugiados, pensai na Sagrada
Família, Nossa Senhora, são José e o Menino Jesus, que fugiram do Egipto para
sobreviver à violência e procurar refúgio junto de estrangeiros; e recordai-vos das
palavras de Jesus: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão
misericórdia» (Mt 5, 7). Levai sempre dentro de vós estas palavras, que vos sirvam
de estímulo e conforto. Por meu lado, garanto-vos a minha oração. E também vós,
por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.
E não posso terminar este encontro, estas palavras, sem vos apresentar um ícone:
aquele «canto do cisne» do padre Arrupe, precisamente num centro de refugiados.
Pedia-nos para rezar, para não abandonar a oração. E precisamente ele com este
conselho e com a sua presença ali, naquele centro para refugiados na Ásia, não
sabia que naquele momento se despedia: foram as suas últimas palavras, o seu
último gesto. Foi precisamente a derradeira herança que deixou à Companhia.
Depois de ter chegado a Roma, foi atingido pelo icto que o fez sofrer por três anos.
Que este ícone vos acompanhe: o ícone de uma óptima pessoa, que não só criou
este serviço, mas alguém a quem o Senhor concedeu a alegria de se despedir
falando num centro para refugiados.

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS BISPOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DA ESLOVÁQUIA EM VISITA “AD LIMINA APOSTOLORUM”

Estimados irmãos no Episcopado!
É com alegria que me encontro convosco, Pastores da Igreja na Eslováquia, durante
esta visita ad limina mediante a qual vindes aos túmulos dos Apóstolos, renovando
a fé em Jesus Cristo e os vínculos de comunhão com o Sucessor de Pedro,
aprofundando outrossim o sentido de colegialidade e de colaboração recíproca entre
vós. Desejo encorajar-vos no trabalho pastoral que levais a cabo, não obstante as
dificuldades do momento actual, caracterizado por rápidas transformações e muitos
âmbitos da vida humana e pelo grande desafio da globalização. Nele encontram-se,
às vezes, ameaças para as nações com menor densidade demográfica, mas ao
mesmo tempo também elementos que podem oferecer novas oportunidades. Uma
ocasião, que se tornou um sinal dos tempos, é o fenómeno das migrações, que
deve ser entendido e enfrentado com sensibilidade e sentido de justiça. A Igreja
está chamada a proclamar e testemunhar o acolhimento do migrante em espírito de
caridade e de respeito pela dignidade da pessoa humana, no contexto de uma
necessária observância da legalidade. […]
[…] Diante da perspectiva de um ambiente multicultural cada vez mais vasto, é
necessário assumir atitudes de respeito recíproco para favorecer o encontro. É
desejável que o povo eslovaco mantenha a sua identidade cultural e o seu
património de valores éticos e espirituais, fortemente vinculado à sua tradição
católica. Só assim poderá abrir-se sem receio ao confronto no mais amplo horizonte
continental e mundial, contribuindo para um diálogo sincero e fecundo, também a
respeito de temáticas de importância vital, como a dignidade da vida humana e a
função essencial da família. Hoje, mais do que nunca, é necessário iluminar o
caminho dos povos com os princípios cristãos, aproveitando as oportunidades que a
situação contemporânea oferece para desenvolver uma evangelização que, com
nova linguagem, torna mais compreensível a mensagem de Cristo. Por isso é
importante que a Igreja instile esperança, a fim de que todas as mudanças do
momento actual se transformem num encontro renovado com Cristo, que leve o
vosso povo a alcançar um progresso genuíno. Chamados a animar as realidades
temporais com os fermentos evangélicos, os fiéis leigos não podem eximir-se de
trabalhar também no contexto dos processos políticos destinados ao bem comum.
Para ser alegres testemunhas do Evangelho em todos os ambientes, eles devem
sentir-se parte viva da Igreja. E vós tendes a tarefa de lhes reconhecer o papel que
lhes compete na vida das comunidades eclesiais, inclusive no que se refere à
elaboração e à realização dos programas pastorais. […]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO DO MOVIMENTO PELA VIDA

Queridos irmãos e irmãs do Movimento pela Vida!
[…] Agradeço-vos o bem que fizestes e que fazeis com tanto amor, e encorajo-vos
a prosseguir com confiança nesta estrada, continuando a ser bons samaritanos!
Não vos canseis de trabalhar pela tutela das pessoas indefesas, que têm direito a
nascer e a viver, assim como de quantos pedem uma existência mais sadia e digna.
Em particular, há necessidade de trabalhar, a diversos níveis e com perseverança,
na promoção e na defesa da família, primeiro recurso da sociedade, sobretudo no
que diz respeito ao dom dos filhos e à afirmação da dignidade da mulher. A este
propósito, gostaria de sublinhar que na vossa actividade, sempre acolhestes todos
prescindindo da religião e da nacionalidade. O número relevante de mulheres,
especialmente imigradas, que se dirigem aos vossos centros demonstra que quando
se oferece um apoio concreto, a mulher, não obstante problemas e
condicionamentos, é capaz de fazer triunfar dentro de si o sentido do amor, da vida
e da maternidade.[…]

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SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS PAPA FRANCISCO ANGELUS

APELO
Amados irmãos e irmãs!
Os dolorosos episódios que nestes últimos dias exacerbaram a delicada situação da
República Centro-Africana suscitam profunda preocupação no meu coração. Faço
apelo às partes envolvidas para que se ponha fim a este ciclo de violências. Estou
espiritualmente próximo dos Padres combonianos da paróquia de Nossa Senhora de
Fátima em Bangui, que acolhem numerosos refugiados. Expresso a minha

solidariedade à Igreja, às outras confissões religiosas e a toda a nação Centro-
Africana, tão duramente provada enquanto fazem todos os esforços para superar as

divisões e retomar o caminho da paz. Para manifestar a proximidade orante de toda

a Igreja a esta Nação tão assolada e atormentada e exortar todos os centro-
africanos a serem cada vez mais testemunhas de misericórdia e de reconciliação,

no domingo 29 de Novembro tenciono abrir a porta santa da catedral de Bangui,
durante a Viagem apostólica que espero poder realizar àquela Nação.

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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE, PAPA FRANCISCO, AOS PARTICIPANTES DACONFERÊNCIA SOBRE TRAFICO DE SERES HUMANOSORGANIZADO PELO “GRUPO SANTA MARTA”

Vossa Majestade, Bispos, Distintas Autoridades, Senhoras e Senhores,
Traz-me grande alegria e satisfação pastoral que o Grupo Santa Marta tenha se reunido
novamente no simbólico Mosteiro de São Lourenço de El Escorial, Espanha. Em sua breve
existência este louvável grupo tem realizado grandes feitos e é solicitado na tarefa decisiva da
erradicação das novas formas de escravidão. No decurso do presente ano, ocorreram inúmeras
inovações institucionais, que inegavelmente podem dar suporte às suas atividades e colaborar
com as atividades beneficentes do Grupo Santa Marta. Estou me referindo ao encontro dos
Bispos em 21 de julho na Cidade do Vaticano, a quem me dirigi. Encontro no qual, as
personalidades importantes ali presentes assinaram uma declaração onde se comprometiam
pessoalmente na erradicação das novas formas de escravidão, cujas são condenadas por eles
como crimes contra a humanidade.
Eu gostaria ainda de citar a recente aprovação da Agenda 2030, com novos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, cuja meta 8.7 declara: “Tomar
medidas imediatas e eficazes para erradicar trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e
o tráfico de pessoas, assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil,
incluindo o recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho
infantil em todas as suas formas”.
Conforme eu tive a oportunidade de afirmar pouco antes da aprovação unânime desta Agenda,
em meu discurso às Organizações das Nações Unidas, em Nova York, no último dia 25 de
setembro: “Nosso mundo exige de todos os líderes de governo um desejo que seja eficaz, prático
e constante; passos concretos e medidas imediatas para a preservação e aperfeiçoamento do meio
ambiente, dessa forma, finalizando o mais rápido possível o fenômeno da exclusão social e
econômica, com suas consequências deletérias: tráfico de pessoas; venda de órgãos e tecidos
humanos; exploração sexual de meninos e meninas; trabalho escravo; incluindo prostituição;
comércio de drogas e armas; terrorismo e o crime organizado internacional. Tal é a magnitude
dessas situações e seus impactos em vidas inocentes, que nós devemos evitar toda tentação de
cair em declarações nominalistas para apaziguar nossa consciência. Devemos nos assegurar que
nossas instituições são verdadeiramente eficazes na luta contra todos esses flagelos”.
Hoje, os 193 Estados que pertencem à ONU têm o novo imperativo moral de lutar contra o
tráfico de pessoas, que é um verdadeiro crime contra a humanidade. Cooperação entre Bispos e
autoridades civis, cada qual de acordo com suas próprias missões e atribuições, a fim de
descobrir as melhores práticas para realizar essa tarefa delicada, é um passo decisivo para
assegurar-lhes que vontade dos governos alcance as vítimas de modo direto, imediato, constante
e eficaz. Vocês, autoridades eclesiásticas e civis, são clamadas a permanecer ao lado das vítimas
e acompanhá-las em sua jornada à dignidade e liberdade. Isso deve ser sentido pelos muitos

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irmãos e muitas irmãs, vítimas do tráfico de pessoas. Hoje vocês, caros membros do Grupo Santa
Marta, não estão sozinhos nesta delicada empreitada: vocês podem contar com o amparo dos
representantes mais esclarecidos e de toda a comunidade internacional, dado o compromisso que,
respectivamente, assumiram e assinaram. Agradeçamos a Deus.
Da minha parte, eu peço a Deus Onipotente para dar-lhes a graça para levar adiante esta missão
tão delicada, tão humanitária e tão Cristã, para curar as dolorosas chagas abertas da humanidade,
que são os flagelos de Cristo. Eu vos asseguro todo o meu suporte e minhas preces, bem como o
suporte e preces da fé da Igreja Católica. Com a ajuda de Deus e com a cooperação de vocês,
esse serviço indispensável do Grupo Santa Marta conseguirá libertar as vítimas das novas formas
de escravidão, para reabilitá-las, juntamente aos presos políticos e excluídos, para desmascarar
os traficantes e aqueles que criam este mercado; e para oferecer assistência efetiva às cidades e
nações, um serviço de bem comum, e também para a promoção da dignidade humana, que deve
ser capaz de trazer o melhor e toda pessoa e todo cidadão. Que Deus abençoe a todos vocês.

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AUDIÊNCIA GERAL INTER-RELIGIOSA

[…] O diálogo assente no respeito confiante pode produzir sementes de bem que,
por sua vez, se tornam rebentos de amizade e de colaboração em muitos campos,
e sobretudo no serviço aos pobres, aos mais pequeninos e aos idosos, na
hospitalidade aos migrantes, na atenção a quantos vivem excluídos. Podemos
caminhar juntos, cuidando uns dos outros e da criação. Todos os crentes de todas
as religiões. Juntos, podemos louvar o Criador por nos ter oferecido o jardim do
mundo, para o cultivar e preservar como um bem comum, e podemos realizar
programas compartilhados para debelar a pobreza e garantir condições de vida
digna a cada homem e mulher.[…]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO

Amados irmãos e irmãs!
[…] Conheço os transtornos do vosso povo. Visitando algumas paróquias romanas,
nas periferias da cidade, tive a oportunidade de sentir as vossas problemáticas e
inquietações, e constatei que elas interpelam não somente a Igreja, mas também
as autoridades locais. Pude ver as condições precárias em que muitos de vós
vivem, devidas à negligência e à falta de trabalho e dos necessários meios de
subsistência. Isto está em contraste com o direito de cada pessoa a uma vida
digna, a um trabalho decente, à educação e à assistência médica. A ordem moral e
social impõe que cada ser humano possa gozar dos direitos fundamentais,
cumprindo os deveres que lhe são próprios. Sobre esta base é possível construir
uma convivência pacífica, na qual as diferentes culturas e tradições conservam os
respectivos valores, em atitude não de fechamento nem de oposição, mas de
diálogo e de integração. Já não queremos assistir a tragédias familiares, nas quais
as crianças morrem de frio ou no meio das chamas, chegando a tornar-se objectos
nas mãos de pessoas depravadas; nas quais jovens e mulheres se acham
implicados no tráfico de droga ou de seres humanos. E isto porque muitas vezes
nós caímos na indiferença e na incapacidade de aceitar costumes e estilos de vida
diversos dos nossos.[…]

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ANGELUS

[…] Confesso-vos que confrontei esta profecia do povo a caminho também com as
imagens dos refugiados em marcha pelas estradas da Europa, uma realidade
dramática dos nossos dias. Também a eles Deus diz: «Virão com choro, e com
súplicas os levarei». Também estas famílias mais sofredoras, desenraizadas das
suas terras, estiveram presentes connosco no Sínodo, na nossa oração e nos
nossos trabalhos, através da voz de alguns dos seus Pastores presentes na
Assembleia. Estas pessoas em busca de dignidade, estas famílias à procura de paz
permanecem ainda connosco, a Igreja não as abandona, porque pertencem ao povo
que Deus quer libertar da escravidão e guiar à liberdade. […]

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HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

[…] A solidão, o drama que ainda hoje aflige muitos homens e mulheres. Penso nos
idosos abandonados até pelos seus entes queridos e pelos próprios filhos; nos
viúvos e nas viúvas; em tantos homens e mulheres, deixados pela sua esposa e
pelo seu marido; em muitas pessoas que se sentem realmente sozinhas, não
compreendidas nem escutadas; nos migrantes e prófugos que escapam de guerras
e perseguições; e em tantos jovens vítimas da cultura do consumismo, do «usa e
joga fora» e da cultura do descarte. […]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCOAOS PARTICIPANTES NO ENCONTRO PROMOVIDOPELA “FUNDAÇÃO BANCO ALIMENTAR”

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
[…] Actualmente, a fome assumiu as dimensões de um verdadeiro «escândalo»
que ameaça a vida e a dignidade de muitas pessoas — homens, mulheres, crianças
e idosos. Todos os dias devemos confrontar-nos com esta injustiça, permito-me
dizer mais, com este pecado; num mundo rico de recursos alimentares, graças
também aos enormes progressos tecnológicos, são demasiados os que não têm o
necessário para sobreviver; e não só nos países pobres, mas cada vez mais
também nas sociedades ricas e desenvolvidas. A situação agravou-se com o
aumento dos fluxos migratórios, que trazem à Europa milhares de refugiados, que
fogem dos próprios países e carecem de tudo. Diante de um problema tão
incomensurável, ressoam as palavras de Jesus: «Tive fome e destes-me de comer»
(Mt 25, 35). Vemos no Evangelho que o Senhor, quando se dá conta de que a
multidão presente para o ouvir tinha fome, não ignora o problema, e nem
pronuncia um discurso sobre a luta contra a pobreza, mas faz um gesto que deixa
todos admirados: toma aquele pouco que os discípulos tinham trazido consigo,
abençoa-o e multiplica os pães e os peixes, a ponto que no final «sobraram doze
cestos cheios de pães» (cf. Mt 14, 20-21).[…]