Archive

PAPA FRANCISCO AUDIÊNCIA GERAL

[…] Pensai nos tantos refugiados que desembarcam na Europa e não sabem para
onde ir. Então, diz o Senhor, os pecados, mesmo que sejam vermelho escarlate,
eles se tornarão brancos como a neve, e cândidos como a lã, e o povo poderá
alimentar-se dos bens da terra e viver em paz (v. 19). […]

Archive

PAPA FRANCISCO ANGELUS

Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs!
A minha oração, e também a vossa, tem sempre presente o drama dos refugiados
que fogem de guerras e de outras situações desumanas. Em particular, a Grécia e
os outros países que estão na primeira linha prestando-lhes um generoso socorro,
que necessita da colaboração de todas as nações. Uma resposta unânime pode ser
eficaz e distribuir equitativamente os pesos. Por isso é necessário apostar com
decisão e sem hesitações nas negociações. Ao mesmo tempo, recebi com esperança
a notícia acerca da cessação das hostilidades na Síria, e convido todos a rezar para
que esta abertura possa dar alívio à população sofredora, favorecendo as
necessárias ajudas humanitárias, e abra o caminho ao diálogo e à paz tão
desejada.
[…]

Archive

PAPA FRANCESCO AUDIÊNCIA GERAL

[…] É precisamente isto que acontece no episódio da vinha de Nabot. Sem
escrúpulos, a rainha Jezabel decide eliminar Nabot e põe em acção o seu plano.
Serve-se das aparências enganadoras de uma legalidade perversa: em nome do rei,
envia cartas aos anciãos e aos notáveis da cidade, ordenando que falsas
testemunhas acusem publicamente Nabot de ter amaldiçoado a Deus e ao rei, um
crime que devia ser punido com a morte. Assim, assassinando Nabot, o rei pode
apoderar-se da sua vinha. E não se trata de uma história de outros tempos, mas é
uma história também dos nossos dias, dos poderosos que, por terem mais dinheiro,
exploram os pobres, exploram o povo. É a história do tráfico de pessoas, do
trabalho escravo, dos simples que labutam clandestinamente, com um salário
mínimo, para enriquecer os poderosos. É a história dos políticos corruptos, que
querem cada vez mais! Por isso eu dizia que seria bom ler este livro de santo
Ambrósio, porque se trata de um livro de actualidade.
Eis para onde leva o exercício de uma autoridade sem respeito pela vida, sem
justiça e sem misericórdia. E eis para onde leva a sede de poder: torna-se ganância
que deseja possuir tudo. A este propósito, há um texto do profeta Isaías que é
particularmente iluminador. Nele, o Senhor alerta contra a avidez os ricos
latifundiários que querem possuir cada vez mais casas e terrenos. E assim diz o
profeta Isaías:
[…]

Archive

PAPA FRANCISCO ANGELUS

Depois do Angelus
Amados irmãos e irmãs!
[…] A Quaresma é um tempo propício para percorrer um caminho de conversão que
tem como centro a misericórdia. Por isso, hoje, pensei em oferecer a vós que estais
aqui na praça um «remédio espiritual» chamado Misericordina. Já o fizemos uma
vez, mas esta é de qualidade superior: é a Misericordina plus. Uma caixinha que
contém a coroa do Rosário e a imagem de Jesus Misericordioso. Agora será
distribuída pelos voluntários, entre os quais há pobres, desabrigados, prófugos e
também religiosos. Aceitai esta oferta como uma ajuda espiritual para difundir,
sobretudo neste Ano da Misericórdia, o amor, o perdão e a fraternidade. […]

Archive

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO MÉXICO (12-18 DE FEVEREIRO DE 2016) SANTA MISSA HOMILIA DO SANTO PADRE

[…] Aqui em Ciudad Juarez, como noutras áreas fronteiriças, concentram-se
milhares de migrantes da América Central e doutros países, sem esquecer tantos
mexicanos que procuram também passar para «o outro lado». Uma passagem, um
caminho carregado de injustiças terríveis: escravizados, sequestrados, objectos de
extorsão, muitos irmãos nossos acabam vítimas do tráfico humano.
Não podemos negar a crise humanitária que, nos últimos anos, levou à migração de
milhares de pessoas, quer por via ferroviária ou rodoviária quer mesmo a pé
atravessando centenas de quilómetros de montanhas, desertos, caminhos
inóspitos. Hoje, esta tragédia humana que é a migração forçada, tornou-se um
fenómeno global. Esta crise que se pode medir em números, queremos medi-la por
nomes, por histórias, por famílias. São irmãos e irmãs que partem, forçados pela
pobreza e a violência, pelo narcotráfico e o crime organizado. No meio de tantas
lacunas legais, estende-se uma rede que apanha e destrói sempre os mais pobres.
À pobreza que já sofrem, vem juntar-se o sofrimento de todas estas formas de
violência. Uma injustiça que se radicaliza ainda mais contra os jovens: como «carne
de canhão», eles vêem-se perseguidos e ameaçados quando tentam sair da espiral
de violência e do inferno das drogas. E que dizer de tantas mulheres a quem
arrebataram injustamente a vida? […]
[…] Hoje, como sucedeu no tempo de Jonas, também apostamos na conversão; há
sinais que se tornam luz no caminho e anúncio de salvação. Conheço o trabalho de
muitas organizações da sociedade civil em favor dos direitos dos migrantes. Estou a
par também do trabalho generoso de muitas irmãs religiosas, de religiosos e
sacerdotes, de leigos votados ao acompanhamento e à defesa da vida. Prestam
ajuda na vanguarda, muitas vezes arriscando a própria vida. Com a sua vida, são
profetas de misericórdia, são o coração compreensivo e os pés da Igreja que
acompanha, que abre os seus braços e apoia. […]

Archive

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO MÉXICO (12-18 DE FEVEREIRO DE 2016) ENCONTRO COM O MUNDO DO TRABALHO DISCURSO DO SANTO PADRE

Queridos irmãos e irmãs!
[…] Que mundo queremos deixar aos nossos filhos? Nisto, julgo que a grande
maioria está de acordo. Eles são precisamente o nosso horizonte, são a nossa
meta: por eles, hoje, devemos unir-nos e trabalhar. Se é sempre bom pensar no
que gostaria de deixar aos meus filhos, também é uma boa medida pensar nos
filhos dos outros. Que quer o México deixar aos seus filhos? Quer deixar-lhes uma
recordação de exploração, de salários insuficientes, de pressão laboral ou de tráfico
de trabalho escravo? Ou deixar-lhes na memória a cultura de um trabalho digno,
um tecto decente e terra para trabalhar? Os três «tês»: trabalho, tecto e terra. Em
qual cultura queremos ver nascer aqueles que virão depois de nós? Que atmosfera
vão respirar? Um ar contaminado pela corrupção, a violência, a insegurança e
desconfiança ou, pelo contrário, um ar capaz de gerar – é uma palavra-chave –,
gerar alternativas, gerar renovação ou mudança? Gerar é ser co-criadores com
Deus. Claro, isto custa. […]

Archive

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO MÉXICO (12-18 DE FEVEREIRO DE 2016) ANGELUS

[…] Desejo convidar-vos hoje a estar na vanguarda, a «primeirear» em todas as
iniciativas que possam ajudar a fazer desta abençoada terra mexicana uma terra de
oportunidades; onde não haja necessidade de emigrar para sonhar; onde não haja
necessidade de se deixar explorar para ter emprego; onde não haja necessidade de
fazer do desespero e da pobreza de muitos ocasião para o oportunismo de poucos.
Uma terra que não tenha de chorar homens e mulheres, jovens e crianças que
acabam destruídos nas mãos dos traficantes da morte.[…]

Archive

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO MÉXICO (12-18 DE FEVEREIRO DE 2016) ENCONTRO COM OS BISPOS DO MÉXICO DISCURSO DO SANTO PADRE

Queridos irmãos!
[…] Permiti-me uma última palavra para expressar o apreço do Papa por tudo o que
tendes feito para enfrentar o desafio deste nosso tempo que são as migrações.
Hoje, são milhões os filhos da Igreja que vivem na diáspora ou em trânsito
peregrinando para o norte à procura de novas oportunidades. Muitos deles deixam
para trás as suas raízes para se aventurar, mesmo na clandestinidade que envolve
todo o tipo de riscos, em busca da «luz verde» que olham como a sua esperança.
Muitas famílias se dividem; e nem sempre a integração na alegada «terra
prometida» é tão fácil como se pensa.
Irmãos, que os vossos corações sejam capazes de os seguir e alcançar além das
fronteiras..[…]

Archive

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO MÉXICO (12-18 DE FEVEREIRO DE 2016) ENCONTRO COM AS AUTORIDADES, A SOCIEDADE CIVIL E O CORPO DIPLOMÁTICO DISCURSO DO SANTO PADRE

Senhor Presidente,
Membros do Governo da República,
Distintas Autoridades,
Representantes da sociedade civil,
Irmãos no Episcopado,
Senhoras e Senhores!
[…] Penso e ouso dizer que, hoje, a principal riqueza do México tem um rosto
jovem; sim, são os seus jovens. Um pouco mais de metade da população é
composta por jovens. Isto permite pensar e projectar um futuro, um amanhã. Isto
dá esperança e abertura ao futuro. Um povo rico de juventude é um povo capaz de
se renovar, de se transformar; é um convite a levantar o olhar com confiança para
o futuro e, ao mesmo tempo, desafia-nos positivamente no presente. Esta realidade
leva-nos, inevitavelmente, a reflectir sobre a responsabilidade de cada um na
construção do México que desejamos, do México que pretendemos transmitir às
gerações futuras; e leva-nos igualmente à certeza de que um futuro rico de
esperança se forja num presente feito de homens e mulheres justos, honestos,
capazes de comprometer-se com o bem comum, aquele «bem comum» que neste
século XXI não é muito apreciado. A experiência demonstra-nos que quando se
busca o caminho do privilégio ou do benefício para poucos em detrimento do bem
de todos, mais cedo ou mais tarde, a vida em sociedade transforma-se num terreno
fértil para a corrupção, o tráfico de drogas, a exclusão das culturas diferentes, a
violência e até o tráfico humano, o sequestro e a morte, que causam sofrimento e
travam o desenvolvimento. […]

Archive

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO MÉXICO (12-18 DE FEVEREIRO DE 2016) ENCONTRO DO PAPA FRANCISCO COM S.S. KIRILL, PATRIARCA DE MOSCOVO E DE TODA A RÚSSIA ASSINATURA DA DECLARAÇÃO CONJUNTA

Declaração comum
do Papa Francisco
e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia
10. Na Síria e no Iraque, a violência já causou milhares de vítimas, deixando
milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência. Exortamos a comunidade
internacional a unir-se para pôr termo à violência e ao terrorismo e, ao mesmo
tempo, a contribuir através do diálogo para um rápido restabelecimento da paz
civil. É essencial garantir uma ajuda humanitária em larga escala às populações
martirizadas e a tantos refugiados nos países vizinhos.
Pedimos a quantos possam influir sobre o destino das pessoas raptadas, entre as
quais se contam os Metropolitas de Alepo, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no
mês de Abril de 2013, que façam tudo o que é necessário para a sua rápida
libertação.
11. Elevamos as nossas súplicas a Cristo, Salvador do mundo, pelo
restabelecimento da paz no Médio Oriente, que é «fruto da justiça» (Is 32, 17), a
fim de que se reforce a convivência fraterna entre as várias populações, as Igrejas
e as religiões lá presentes, pelo regresso dos refugiados às suas casas, a cura dos
feridos e o repouso da alma dos inocentes que morreram.
17. O nosso olhar volta-se para as pessoas que se encontram em situações de
grande dificuldade, em condições de extrema necessidade e pobreza, enquanto
crescem as riquezas materiais da humanidade. Não podemos ficar indiferentes à
sorte de milhões de migrantes e refugiados que batem à porta dos países ricos. O
consumo desenfreado, como se vê em alguns países mais desenvolvidos, está
gradualmente esgotando os recursos do nosso planeta. A crescente desigualdade
na distribuição dos bens da Terra aumenta o sentimento de injustiça perante o
sistema de relações internacionais que se estabeleceu.