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ENTREGA DO PRÉMIO CARLOS MAGNO DISCURSO DO PAPA FRANCISCO

Ilustres Senhoras e Senhores!
[…]Capacidade de diálogo
Se há uma palavra que devemos repetir, sem nunca nos cansarmos, é esta:
diálogo. Somos convidados a promover uma cultura do diálogo, procurando por
todos os meios abrir instâncias para o tornar possível e permitir-nos reconstruir o
tecido social. A cultura do diálogo implica uma autêntica aprendizagem, uma ascese
que nos ajude a reconhecer o outro como um interlocutor válido, que nos permita
ver o forasteiro, o migrante, a pessoa que pertence a outra cultura como sujeito a
ser ouvido, considerado e apreciado. Hoje é urgente envolvermos todos os atores
sociais na promoção duma «cultura que privilegie o diálogo como forma de
encontro», fomentando «a busca de consenso e de acordos mas sem a separar da
preocupação por uma sociedade justa, capaz de memória e sem exclusões» (Exort.
ap. Evangelii gaudium, 239). A paz será duradoura na medida em que armarmos os
nossos filhos com as armas do diálogo, lhes ensinarmos a boa batalha do encontro
e da negociação. Desta forma, poderemos deixar-lhes em herança uma cultura que
saiba delinear estratégias não de morte mas de vida, não de exclusão mas de
integração.[…]
[…]Com a mente e o coração, com esperança e sem vãs nostalgias, como um filho
que reencontra na mãe Europa as suas raízes de vida e de fé, sonho um novo
humanismo europeu, «um caminho constante de humanização», ao qual servem
«memória, coragem e utopia sadia e humana».[11]Sonho uma Europa jovem,
capaz de ainda ser mãe: uma mãe que tenha vida, porque respeita a vida e dá
esperanças de vida. Sonho uma Europa que cuida da criança, que socorre como um
irmão o pobre e quem chega à procura de acolhimento porque já não tem nada e
pede abrigo. Sonho uma Europa que escuta e valoriza as pessoas doentes e idosas,
para que não sejam reduzidas a objetos de descarte porque improdutivas. Sonho
uma Europa, onde ser migrante não seja delito, mas apelo a um maior
compromisso com a dignidade de todos os seres humanos. Sonho uma Europa onde
os jovens respirem o ar puro da honestidade, amem a beleza da cultura e duma
vida simples, não poluída pelas solicitações sem fim do consumismo; onde casar e
ter filhos sejam uma responsabilidade e uma alegria grande, não um problema
criado pela falta de trabalho suficientemente estável. Sonho uma Europa das
famílias, com políticas realmente eficazes, centradas mais nos rostos do que nos
números, mais no nascimento dos filhos do que no aumento dos bens. Sonho uma
Europa que promova e tutele os direitos de cada um, sem esquecer os deveres para
com todos. Sonho uma Europa da qual não se possa dizer que o seu compromisso
em prol dos direitos humanos constituiu a sua última utopia. Obrigado.

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PAPA FRANCISCO AUDIÊNCIA GERAL

Saudações
[…] Hoje celebra-se o Dia internacional das crianças desaparecidas. É um dever de
todos salvaguardar as crianças, principalmente aquelas expostas a um elevado
risco de exploração, tráfico e comportamentos depravados. Faço votos a fim de que
as Autoridades civis e religiosas consigam despertar e sensibilizar as consciências,
para evitar a indiferença diante da dificuldade das crianças abandonadas,
exploradas e afastadas das suas famílias e do seu contexto social, crianças que não
podem crescer serenamente nem olhar para o futuro com esperança. Convido todos
à oração, para que cada uma delas seja restituída ao carinho dos seus entes
queridos. […]

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MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO AO SECRETÁRIO-GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS POR OCASIÃO DA PRIMEIRA CIMEIRA MUNDIAL HUMANITÁRIA

[…] Não podemos negar que demasiados interesses impedem hoje as soluções dos
conflitos, e que estratégias militares, económicas e geopolíticas deslocam pessoas e
povos e impõem o deus dinheiro, o deus poder. Ao mesmo tempo, os esforços
humanitários são frequentemente condicionados por imposições comerciais e
ideológicas.
Por isso, hoje é preciso um compromisso renovado para proteger todas as pessoas
na sua vida quotidiana e salvaguardar a sua dignidade e os seus direitos humanos,
a sua segurança e as suas necessidades integrais. Contemporaneamente, é
necessário preservar a liberdade e a identidade cultural e social dos povos; sem
que isto leve a fechamentos mas que favoreça a cooperação, o diálogo e,
especialmente, a paz.
«Não deixar ninguém para trás» e «Fazer o melhor que pudermos» pedem-nos que
não nos resignemos, que assumamos a responsabilidade das decisões e ações
diante das vítimas. Façamo-lo primeiro pessoalmente, depois juntos, coordenando
as forças e a ação no respeito recíproco das diversas habilidades e setores de
competência, sem discriminar mas acolhendo. Noutras palavras: não deve existir
família alguma sem casa, refugiado algum sem acolhimento, pessoa alguma sem
dignidade, ferido algum sem assistência, criança alguma sem infância, jovem
algum, moça ou rapaz, sem um futuro, idoso algum sem uma velhice decorosa.
Esta possa ser também a ocasião para reconhecer o trabalho de quem serve o
próximo e contribui para aliviar os sofrimentos das vítimas de guerras e
calamidades, dos prófugos e dos refugiados, e se ocupa da sociedade,
especialmente através de escolhas corajosas de paz, respeito, reorganização e
perdão […]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS EMBAIXADORES DA REPÚBLICA DAS SEICHELES, TAILÂNDIA, ESTÓNIA, MALAVI, ZÂMBIA E NAMÍBIA POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Excelências!
[…] A vossa presença hoje aqui é uma forte chamada ao facto que, mesmo se as
nossas nacionalidades, culturas e confissões religiosas podem ser diversas, estamos
unidos pela comum humanidade e pela missão partilhada de nos ocuparmos da
sociedade e da criação. Este serviço assumiu uma urgência particular, dado que
muitas pessoas no mundo estão a sofrer conflitos e guerras, migrações e
transferências forçadas e incertezas causadas pelas dificuldades económicas. Estes
problemas exigem não só que reflitamos e debatamos sobre eles mas que
exprimamos também sinais concretos de solidariedade com os nossos irmãos e
irmãs em grave necessidade. Para que este serviço de solidariedade seja eficaz, os
nossos esforços devem estar orientados para perseguir a paz, no qual todos os
direitos naturais individuais e cada desenvolvimento humano integral possa ser
exercido e garantido. Esta tarefa requer que trabalhemos juntos de modo eficiente
e coordenado, encorajando os membros das nossas comunidades a tornarem-se
eles mesmos artífices de paz, promotores de justiça social e defensores do respeito
verdadeiro pela nossa casa comum. Isto torna-se cada vez mais difícil, porque o
nosso mundo parece mais fragmentado e polarizado. Muitas pessoas tendem a
isolar-se diante da dureza da realidade. Têm medo do terrorismo e que o crescente
afluxo de migrantes mude radicalmente a sua cultura, a sua estabilidade económica
e o seu estilo de vida. Estes são temores que compreendemos e que não podemos
deixar passar com leviandade, e que devem contudo ser tratados com sabedoria e
compaixão, de modo que os direitos e as necessidades de todos sejam respeitados
e apoiados. Por quantos estão atormentados pela tragédia da violência e da
migração forçada, devemos ser enfáticos em fazer conhecer ao mundo a sua
condição crítica, de modo que, através da nossa a sua voz, demasiado débil e

incapaz de fazer escutar o seu clamor, possa ser ouvida. A via da diplomacia ajuda-
nos a amplificar e transmitir este clamor através da busca de soluções para as

múltiplas causas que estão na base dos conflitos atuais. Isto verifica-se
especialmente nos esforços de privar das armas quantos usam violência, assim
como de pôr fim à chaga do tráfico humano e do comércio de droga que
frequentemente acompanha este mal. Enquanto as nossas iniciativas em nome da
paz deveriam ajudar as populações a permanecer na pátria, no momento presente
chama-nos a assistir os migrantes e quantos se ocupam deles. Não devemos
permitir que desentendimentos e receios enfraqueçam a nossa determinação. Aliás,
estamos chamados a construir uma cultura do diálogo «que nos ajude a reconhecer
o outro como um interlocutor válido; que nos permita olhar para o estrangeiro, o
migrante, quem pertence a outra cultura como um sujeito a ser ouvido,
considerado e apreciado» (Discurso por ocasião da atribuição do Prémio Carlos
Magno, 6 de maio de 2016). Deste modo promoveremos uma integração que
respeite a identidade dos migrantes e preserve a cultura da comunidade que os
recebe, e ao mesmo tempo enriqueça a ambos. Isto é essencial. Se incompreensão
e receio prevalecerem, algo de nós mesmos será danificado, as nossas culturas, a

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história e as tradições debilitam-se, e a própria paz fica comprometida. Quando ao
contrário favorecemos o diálogo e a solidariedade, tanto a nível individual como
coletivo, então experimentamos uma paz duradoura para todos, segundo o desígnio
do Criador.[…]

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ISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS PARTICIPANTES NA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DA FUNDAÇÃO CENTESIMUS ANNUS PRO PONTIFICE

Queridos amigos!
Dou-vos as minhas calorosas boas-vindas e agradeço ao Presidente as suas gentis
palavras. Nestes dias de reflexão e diálogo, refletistes sobre o contributo da
comunidade dos negócios para a luta contra a pobreza, com referência particular à
atual crise dos refugiados. Estou grato pela prontidão com a qual dirigis a vossa
competência e experiência para o debate sobre estas delicadas questões
humanitárias e acerca das obrigações morais que elas comportam.
A crise dos refugiados, cujas proporções crescem todos os dias, é uma daquelas às
quais me sinto particularmente próximo. Na minha recente visita a Lesbos, fui
testemunha de angustiantes experiências de sofrimento humano, especialmente de
famílias e crianças. Foi minha intenção, juntamente com os meus irmãos ortodoxos
o Patriarca Bartolomeu e o arcebispo Jerónimo, oferecer ao mundo uma maior
consciência destes «cenários de trágica e deveras desesperada necessidade», e
«dar-vos resposta de modo digno da nossa comum humanidade» (Visita ao Campo
de Refugiados de Moria, 16 de abril de 2016). Além do aspeto imediato e prático de
fornecer ajuda material a estes nossos irmãos e irmãs, a comunidade internacional
está chamada a encontrar respostas políticas, sociais e económicas a longo prazo
para problemáticas que superam os confins nacionais e continentais e envolvem a
família humana inteira. […]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO DA CÁRITAS DAS DIOCESES ITALIANAS

Amados irmãos e irmãs!
[…] Desejo encorajar-vos também a prosseguir o compromisso e a proximidade em
relação às pessoas imigradas. O fenómeno das migrações, que hoje apresenta
aspetos críticos que devem ser geridos com políticas orgânicas e clarividentes,
permanece sempre uma riqueza e um recurso, sob diversos pontos de vista. Por
conseguinte, é precioso o vosso trabalho que, ao lado da abordagem solidária,
tende a privilegiar escolhas que favoreçam cada vez mais a integração entre
populações estrangeiras e cidadãos italianos, oferecendo aos agentes de base
instrumentos culturais e profissionais adequados à complexidade do fenómeno e às
suas peculiaridades.[…]

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PAPA FRANCISCO REGINA COELI

Depois do Regina Coeli
Agradeço a quantos acompanharam com a oração a visita que fiz ontem à ilha de
Lesbos, na Grécia. Aos refugiados e ao povo grego levei a solidariedade da Igreja.
Estavam comigo o Patriarca Ecuménico Bartolomeu e o Arcebispo Jerónimo de
Atenas e de toda a Grécia, para significar a unidade na caridade de todos os
discípulos do Senhor. Visitámos um dos campos de refugiados: eles são
provenientes do Iraque, da Síria, da África, de tantos países… Saudamos cerca de
300 destes refugiados, um por um. Os três: o Patriarca Bartolomeu, o arcebispo
Jerónimo e eu. Muitos deles eram crianças; algumas destas crianças assistiram à
morte dos pais e dos amigos, alguns morreram afogados no mar. Vi tanto
sofrimento! E desejo contar um caso particular, de um jovem, não tem 40 anos.

Encontrei-me com ele ontem, com os seus dois filhos. Ele é muçulmano e contou-
me que era casado com uma jovem cristã, amavam-se e respeitavam-se

reciprocamente. Mas infelizmente esta jovem foi degolada pelos terroristas, porque
não quis renegar Cristo e abandonar a sua fé. É uma mártir! E aquele homem
chorava tanto… […]

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VISITA APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO A LESBOS (GRÉCIA) ENCONTRO COM AS AUTORIDADES E A POPULAÇÃO. MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DAS MIGRAÇÕES DISCURSO DO SANTO PADRE

Senhor Chefe do Governo,
Distintas Autoridades,
Queridos irmãos e irmãs!
Desde que Lesbos se tornou uma meta para tantos migrantes à procura de paz e
dignidade, senti o desejo de vir aqui. Agradeço a Deus que me concedeu fazê-lo
hoje. E agradeço ao Senhor Presidente Paulopoulos por me ter convidado,
juntamente com o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo Hieronymos.
Quero expressar a minha admiração ao povo grego, que, apesar das graves
dificuldades que enfrenta, soube manter abertos os corações e as portas. Muitas
pessoas simples puseram à disposição o pouco que tinham, partilhando-o com
quem estava privado de tudo. Deus recompensará esta generosidade, tal como a
doutras nações vizinhas que, desde os primeiros momentos, receberam com grande
disponibilidade inúmeros migrantes forçados.
E abençoada é também a presença generosa de tantos voluntários e numerosas
associações que, juntamente com as várias instituições públicas, prestaram a sua
ajuda, e continuam a fazê-lo, expressando de modo concreto uma proximidade
fraterna.
Quero hoje, perante uma situação tão dramática, lançar de novo um veemente
apelo à responsabilidade e à solidariedade. Muitos refugiados, que se encontram
nesta ilha e em várias partes da Grécia, estão a viver em condições críticas, num
clima de ansiedade, medo e por vezes de desespero, devido às limitações materiais
e à incerteza do futuro.
As preocupações das instituições e da população, aqui na Grécia como noutros
países da Europa, são compreensíveis e legítimas. Mas nunca devemos esquecer
que, antes de ser números, os migrantes são pessoas, são rostos, nomes, casos. A
Europa é a pátria dos direitos humanos, e toda a pessoa que ponha pé em terra
europeia deverá poder experimentá-lo; assim tornar-se-á mais consciente de
dever, por sua vez, respeitá-los e defendê-los. Infelizmente alguns, incluindo
muitas crianças, nem sequer conseguiram chegar: perderam a vida no mar, vítimas
de viagens desumanas e sujeitos às tiranias de ignóbeis algozes.
Vós, habitantes de Lesbos, dais provas de que nestas terras, berço de civilização,
ainda pulsa o coração duma humanidade que sabe reconhecer, antes de tudo, o
irmão e a irmã, uma humanidade que quer construir pontes e evita a ilusão de
levantar cercas para se sentir mais segura. Na verdade, em vez de ajudar o
verdadeiro progresso dos povos, as barreiras criam divisões e, mais cedo ou mais
tarde, as divisões provocam confrontos.
Para sermos verdadeiramente solidários com quem é forçado a fugir da sua própria
terra, é preciso trabalhar para remover as causas desta dramática realidade: não

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basta limitar-se a resolver a emergência do momento, é preciso desenvolver
políticas de amplo respiro, não unilaterais. Em primeiro lugar, é necessário
construir a paz nos lugares aonde a guerra levou destruição e morte e impedir que
este câncer se espalhe noutros lugares. Para isso, é preciso opor-se firmemente à
proliferação e ao tráfico das armas e às suas teias muitas vezes ocultas; há que
privar de todo e qualquer apoio quantos perseguem projetos de ódio e violência.
Por outro lado, promova-se incansavelmente a colaboração entre os países, as
Organizações Internacionais e as instituições humanitárias, não isolando mas
sustentando quem enfrenta a emergência. Nesta perspetiva, renovo os meus votos
de bom sucesso à I Cimeira Humanitária Mundial que terá lugar, em Istambul, no
próximo mês.
Tudo isto só se pode fazer em conjunto: juntos, podemos e devemos procurar
soluções dignas do homem para a complexa questão dos refugiados. E, nisto, é
indispensável também a contribuição das Igrejas e das Comunidades Religiosas. A
minha presença aqui, juntamente com o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo
Hieronymos, é testemunho da nossa vontade de continuar a cooperar para que este
desafio epocal se torne ocasião, não de confronto, mas de crescimento da
civilização do amor.
Queridos irmãos e irmãs, perante as tragédias que se abatem sobre a humanidade,
Deus não permanece indiferente, não está longe. É o nosso Pai, que nos sustenta
na construção do bem e rejeição do mal. E não só nos sustenta, mas em Jesus
mostrou-nos o caminho da paz: face ao mal do mundo, fez-Se nosso servo e, com
o seu serviço de amor, salvou o mundo. Este é o verdadeiro poder que gera a paz,
só quem serve com amor, constrói a paz. O serviço faz cada um sair de si mesmo
para cuidar dos outros: não deixa que as pessoas e as coisas caiam em ruína, mas
sabe guardá-las, superando o espesso manto da indiferença que ofusca as mentes
e os corações.
A vós, eu digo obrigado, porque sois guardiões da humanidade, porque cuidais
ternamente da carne de Cristo, que sofre no menor dos irmãos, faminto e
forasteiro, que acolhestes (cf. Mt 25, 35).
Συχαριστώ!

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VISITA APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO A LESBOS (GRÉCIA) VISITA AOS REFUGIADOS DISCURSOS DE SUA BEATITUDE JERÓNIMO, ARCEBISPO DE ATENAS E DE TODA A GRÉCIA, DE SANTIDADE BARTOLOMEU, PATRIARCA ECUMÉNICO DE CONSTANTINOPLA, E DO SANTO PADRE FRANCISCO

DISCURSO DO SANTO PADRE FRANCISCO
Queridos irmãos e irmãs!
Desejei vir estar convosco hoje. Quero dizer-vos que não estais sozinhos. Ao longo
destes meses e semanas, sofrestes inúmeras tribulações na vossa busca duma vida
melhor. Muitos de vós sentiram-se obrigados a escapar de situações de conflito e
perseguição, sobretudo por amor dos vossos filhos, dos vossos pequeninos.
Suportastes grandes sacrifícios por amor das vossas famílias. Experimentastes a
amargura de ter deixado para trás tudo o que vos era querido e – o que é talvez
mais difícil – sem saber o que o futuro vos reservava. Há ainda muitos outros,
como vós, que se encontram à espera, em campos de refúgio ou na cidade,
ansiando construir uma nova vida neste continente.
Vim aqui com os meus irmãos, o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo Hieronymos,
apenas para estar convosco e ouvir os vossos dramas. Viemos a fim de chamar a
atenção do mundo para esta grave crise humanitária e implorar a sua resolução.
Como pessoas de fé, desejamos unir as nossas vozes para falar abertamente em
vosso nome. Esperamos que o mundo preste atenção a estas situações de trágica e
verdadeiramente desesperada necessidade e responda de modo digno da nossa
humanidade comum.
Deus criou o género humano para ser uma única família; quando sofre algum dos
nossos irmãos ou irmãs, todos nos ressentimos. Todos sabemos por experiência
como é fácil, para algumas pessoas, ignorar as tribulações dos outros e até
aproveitar-se da sua vulnerabilidade; mas sabemos também que estas crises
podem fazer despontar o melhor de nós mesmos. Viste-lo em vós próprios e no
povo grego, que, apesar de imerso nas suas próprias dificuldades, respondeu
generosamente às vossas necessidades. Viste-lo também em muitas pessoas,
sobretudo jovens originários de toda a Europa e do mundo, que vieram ajudar-vos.
É verdade que ainda há muitíssimo a fazer; mas damos graças a Deus porque, nos
nossos sofrimentos, nunca nos deixou sozinhos. Há sempre alguém que pode dar
uma mão para nos ajudar.
Esta é a mensagem que, hoje, vos quero deixar: não percais a esperança! O maior
presente que podemos oferecer uns aos outros é o amor: um olhar misericordioso,
a solicitude por nos ouvirmos e compreendermos, uma palavra de encorajamento,
uma oração. Oxalá possais partilhar este presente uns com os outros. Nós, cristãos,
gostamos de contar o episódio do Bom Samaritano, um estrangeiro que viu um

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homem necessitado e, imediatamente, se deteve para o socorrer. Para nós, é uma
parábola alusiva à misericórdia de Deus, que se destina a todos (Ele é o
Misericordioso); mas é também um apelo a demonstrarmos a mesma misericórdia
àqueles que passam necessidade. Que todos os nossos irmãos e irmãs, neste
continente, possam – à semelhança do Bom Samaritano – vir em vosso auxílio,
animados por aquele espírito de fraternidade, solidariedade e respeito pela
dignidade humana que caracterizou a sua longa história.
Queridos irmãos e irmãs, que Deus vos abençoe a todos, especialmente às vossas
crianças, aos idosos e àqueles que sofrem no corpo e no espírito. A todos vos
abraço com afeto. Sobre vós e quem vos acompanha, invoco os dons divinos da
fortaleza e da paz.

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PAPA FRANCISCO AUDIÊNCIA GERAL

Saudações
No próximo sábado irei à ilha de Lesbos, por onde nos meses passados transitaram
numerosíssimos refugiados. Irei juntamente com os meus irmãos, o Patriarca de
Constantinopla Bartolomeu e o Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia,
Hieronymos, para manifestar proximidade e solidariedade, tanto aos refugiados
como aos cidadãos de Lesbos e a todo o povo grego, tão generoso na hospitalidade.
Peço por favor que me acompanheis com a oração, invocando a luz e a força do
Espírito Santo, bem como a intercessão maternal da Virgem Maria. […]