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ENCONTRO COM OS BISPOS POLACOS DIÁLOGO

[…] E assim vivem eles Na verdade a corrupção está na origem da migração.
Como fazer? Penso que cada país deve ver como e quando: nem todos os países
são iguais; nem todos os países têm as mesmas possibilidades. É verdade, mas
todos podem ser generosos; generosos como cristãos. […]
“«E isto que tem a ver com os migrantes?» Trata-se um pouco do contexto, sabes?
Quanto aos migrantes, diria: o problema está lá, na terra deles. Mas como os
acolhemos? Cada qual deve ver como. Mas todos podemos ter o coração aberto e
pensar em fazer uma hora nas paróquias, uma hora por semana, de adoração e
oração pelos migrantes. A oração move montanhas![…]

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ENCONTRO COM AS AUTORIDADES, A SOCIEDADE CIVIL E O CORPO DIPLOMÁTICO DISCURSO DO SANTO PADRE

Senhor Presidente,
Distintas Autoridades
Ilustres Membros do Corpo Diplomático,
Magníficos Reitores,
Senhoras e Senhores!
[…] Assim a nobre nação polaca mostra como se pode fazer crescer a memória boa
e deixar para trás a má. Para isso, requer-se uma esperança e confiança firmes
n’Aquele que guia os destinos dos povos, abre portas fechadas, transforma as
dificuldades em oportunidades e cria novos cenários onde parecia impossível. Disto
mesmo dão testemunho as vicissitudes históricas da Polónia: depois das
tempestades e das trevas, o vosso povo, restabelecido na sua dignidade, pôde
cantar, como os judeus no regresso de Babilónia: «Parecia-nos viver um sonho. A
nossa boca encheu-se de sorrisos e a nossa língua de canções» (Sal 126/125, 1-2).
A consciência do caminho feito e a alegria pelas metas alcançadas dão força e
serenidade para se enfrentar os desafios atuais, que requerem a coragem da
verdade e um compromisso ético constante, a fim de que os processos decisórios e
operativos, bem como as relações humanas sejam sempre respeitosos da dignidade
da pessoa. E, com isto, está relacionada toda a atividade, incluindo a economia, a
relação com o meio ambiente e a própria forma de gerir o complexo fenómeno
migratório. […]

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PAPA FRANCISCO ANGELUS

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
[…] Entendida deste modo, a hospitalidade, que é uma das obras de misericórdia,
parece ser deveras uma virtude humana e cristã, uma virtude que no mundo de
hoje arrisca ser descuidada. Com efeito, multiplicam-se as casas de internação e os
lares, mas nem sempre nestes ambientes é praticada uma hospitalidade real. Dá-se
vida a várias instituições que assistem a muitas formas de doença, de solidão, de
marginalização, mas diminui a probabilidade para quem é estrangeiro,
marginalizado e excluído de encontrar alguém disposto a ouvi-lo: porque é
estrangeiro, refugiado, migrante, ouvir aquela história dolorosa. Até na própria
casa, entre os familiares, pode acontecer que se encontrem mais facilmente
serviços e cuidados de vários géneros em vez da escuta e acolhimento. Hoje
andamos totalmente ocupados, com frenesi, com tantos problemas — alguns dos
quais não importantes — que deixamos de ter a capacidade de ouvir. Andamos
continuamente atarefados e assim não temos tempo para ouvir. E eu gostaria de
vos perguntar, de vos apresentar uma questão, cada qual responda no seu
coração: tu, marido, tens tempo para ouvir a tua esposa? E tu, esposa, tens tempo
para ouvir o teu marido? Vós, pais, «perdeis» tempo a ouvir os vossos filhos? Ou os
vossos avós, os idosos? — «Mas os avós dizem sempre as mesmas coisas, são
tediosos…» — Mas têm necessidade de ser ouvidos! Ouvir. Peço-vos que aprendais
a ouvir e a dedicar tempo à escuta. Na capacidade da escuta está a raiz da paz.
[…]

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FRANCISCO CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA VULTUM DEI QUAERERE

16. A oração litúrgica e pessoal é uma necessidade fundamental para alimentar a
vossa contemplação: se «a oração é o “cerne” da vida consagrada»,[39]por maior
razão o é da vida contemplativa. Hoje, muitas pessoas não sabem rezar. Muitos
simplesmente não sentem a necessidade de rezar, ou reduzem o seu
relacionamento com Deus a uma súplica nos momentos de provação, quando não
sabem para quem se voltar. Outros reduzem a sua oração a um simples louvor nos
momentos de felicidade. Ao rezar e cantar os louvores do Senhor com a Liturgia
das Horas, dais voz também a estas pessoas e, como fizeram os profetas,
intercedeis pela salvação de todos.[40] A oração pessoal ajudar-vos-á a
permanecer unidas ao Senhor, como os ramos à videira, e assim a vossa vida dará
fruto em abundância (cf. Jo 15, 1-15). Lembrai-vos, porém, de que a vida de
oração e a vida contemplativa não podem ser vividas como uma espécie de retirada
fechando-vos em vós mesmas, mas devem dilatar o coração para abraçar a
humanidade inteira, especialmente aquela que sofre. […]

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO A UMA DELEGAÇÃO DO PATRIARCADO ECUMÉNICO DE CONSTANTINOPLA

[…] Dou graças ao Senhor porque, em abril passado, me proporcionou a ocasião de
encontrar o amado irmão Bartolomeu, quando, juntamente com o Arcebispo de
Atenas e de toda a Grécia, Sua Beatitude Jerónimo II, fomos à ilha de Lesbos para
visitar refugiados e migrantes. Olhar para o desespero no rosto de homens,
mulheres e crianças incertos sobre o seu destino, ouvir impotentes a narração das
suas desventuras e parar em oração nas margens daquele mar que engoliu a vida
de tantos seres humanos inocentes foi uma experiência muito comovedora, que
confirmou quanto ainda há a fazer para garantir dignidade e justiça a tantos irmãos
e irmãs. Um grande conforto, naqueles momentos tão tristes, foi a intensa
proximidade humana e espiritual que experimentei com o Patriarca Bartolomeu e
com o Arcebispo Jerónimo. Guiados pelo Espírito Santo, estamos a tomar cada vez
mais consciência de que nós, católicos e ortodoxos, temos uma responsabilidade
comum em relação a quem está em necessidade, em obediência ao único
Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Assumir esta responsabilidade é um dever
que concerne à própria credibilidade do nosso ser cristãos. Por conseguinte,
encorajo qualquer forma de colaboração entre católicos e ortodoxos em atividades
concretas ao serviço da humanidade sofredora.[…]

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ENCONTRO COM AS AUTORIDADES CIVIS E COM O CORPO DIPLOMÁTICO DISCURSO DO SANTO PADRE

Senhor Presidente,
Distintas Autoridades,
Ilustres Membros do Corpo Diplomático,
Senhores e Senhoras!
[…] Hoje, nalguns lugares, particularmente os cristãos – como e talvez mais do que
na época dos primeiros mártires – são discriminados e perseguidos pelo simples
facto de professarem a sua fé, ao mesmo tempo que demasiados conflitos em
várias áreas do mundo permanecem ainda sem soluções positivas, causando lutos,
destruições e migrações forçadas de populações inteiras. Por isso, é indispensável
que os responsáveis pelo destino das nações empreendam, com coragem e sem
tardar, iniciativas destinadas a pôr fim a estes sofrimentos, fazendo da busca da
paz, da defesa e do acolhimento das pessoas que são alvo de agressões e
perseguições, da promoção da justiça e dum desenvolvimento sustentável os seus
objetivos primários. O povo arménio experimentou estas situações na própria
carne; conhece o sofrimento e a dor, conhece a perseguição; guarda na sua
memória não só as feridas do passado, mas também o espírito que sempre lhe
permitiu começar de novo. Neste sentido, eu encorajo-o a prestar a sua valiosa
contribuição à comunidade internacional.[…]

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PAPA FRANCISCO AUDIÊNCIA GERAL

[…] Tocar o pobre pode purificar-nos da hipocrisia, tornando-nos inquietos diante
da sua condição. Tocai os excluídos. Hoje acompanham-me aqui estes jovens.
Muitos pensam que seria melhor que eles permanecessem na sua terra, mas ali
sofriam muito. São os nossos refugiados, mas por tantos são considerados
excluídos. Por favor, eles são nossos irmãos! O cristão não exclui ninguém, deixa
um lugar para todos, permite que todos venham! […]

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PAPA FRANCESCO ANGELUS

Depois do Angelus
[…] Amanhã celebrar-se-á o Dia Mundial do Refugiado, promovida pela ONU. O
tema deste ano é: «Com os refugiados. Nós estamos com quantos são obrigados a
fugir». Os refugiados são pessoas como todos, mas às quais a guerra tirou a casa,
o trabalho, os parentes e os amigos. As suas histórias e os seus rostos exortam-nos
a renovar o compromisso para construir a paz na justiça. É por isso que desejamos
estar com eles: encontrá-los, recebê-los e ouvi-los, para nos tornarmos juntos
artífices de paz segundo a vontade de Deus. […]

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PAPA FRANCISCO AUDIÊNCIA GERAL

[…] Quantas vezes, quando nos deparamos com numerosos migrantes e
refugiados, ficamos incomodados. É uma tentação que todos temos. Todos, até eu!
É por isso que a Palavra de Deus nos admoesta recordado-nos que a indiferença e a
hostilidade tornam cegos e surdos, impedem que vejamos os irmãos e não
permitem que reconheçamos o Senhor neles. Indiferença e hostilidade. E por vezes
esta indiferença e hostilidade transformam-se também em agressões e insultos:
«mandai embora toda esta gente!», «ponde-os noutro lugar!». Esta agressão é a
mesma que faziam as pessoas quando o cego gritava: «mas, vai-te embora, por
favor, não fales, não grites». […]

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Discurso do Santo Padre na Sessão Anual do Conselho Executivo do

[…] Esta tendência – ou tentação – exige de nós um passo mais e, por sua vez,
revela o papel fundamental que instituições como a vossa têm no cenário global.
Hoje não podemos dar-nos por satisfeitos apenas com o facto de conhecer a
situação de muitos dos nossos irmãos. As estatísticas não nos saciam. Não é
suficiente elaborar longas reflexões ou submergir-nos em discussões infindáveis
sobre as mesmas, repetindo continuamente argumentos já conhecidos por todos. É
necessário «desnaturalizar» a miséria, deixando de considerá-la como um dado
entre muitos outros da realidade. Porquê? Porque a miséria tem um rosto. Tem o
rosto duma criança, tem o rosto duma família, tem o rosto de jovens e idosos. Tem
o rosto da falta de oportunidades e de emprego de muitas pessoas, tem o rosto das
migrações forçadas, das casas abandonadas ou destruídas. Não podemos
«naturalizar» a fome de tantas pessoas; não nos é lícito afirmar que a sua situação
é fruto dum destino cego contra o qual nada podemos fazer. Quando a miséria
deixa de ter um rosto, podemos cair na tentação de começar a falar e discutir sobre
«a fome», «a alimentação», «a violência», deixando de lado o sujeito concreto,
real, que continua ainda hoje a bater às nossas portas. Quando faltam os rostos e
as histórias, as vidas começam a transformar-se em números e assim, pouco a
pouco, corremos o risco de burocratizar o sofrimento alheio. As burocracias
ocupam-se de procedimentos; a compaixão – não a pena, mas a compaixão, o
padecer com –, pelo contrário, põe-nos em campo em prol das pessoas. […]