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JUBILEU DOS OPERADORES E DOS VOLUNTÁRIOS DA MISERICÓRDIA HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

[…] Seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; exige
radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e
descartado da vida e colocar-se ao seu serviço. Para isso, os voluntários que
servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam nenhum
agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque encontraram o
amor verdadeiro. E cada um pode dizer: “Como o Senhor veio até mim e se inclinou
sobre mim na hora da necessidade, assim vou ao seu encontro e me inclino sobre
aqueles que perderam a fé ou vivem como se Deus não existisse, sobre os jovens
sem valores e ideais, sobre as famílias em crise, sobre os enfermos e os
prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes, sobre os fracos e desamparados no
corpo e no espírito, sobre os menores abandonados à própria sorte, bem como
sobre os idosos deixados sozinhos. Onde quer que haja uma mão estendida
pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da
Igreja, que apoia e dá esperança”. E fazê-lo com a memória viva da mão do Senhor
estendida sobre mim quando eu estava por terra. […]

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CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO PARA O JUBILEU DOS AGENTES DE MISERICÓRDIA

[…] Irmãos e irmãs, vós representais aqui o grande e variado mundo do
voluntariado. Sois justamente vós uma das realidades mais preciosas da Igreja
que, muitas vezes no silêncio e escondidos, dais forma e visibilidade à misericórdia.
Vós sois artesãos de misericórdia: com as vossas mãos, com os vossos olhos, com
a vossa escuta, com a vossa proximidade, com as vossas carícias… sois artesãos!
Exprimis o desejo – entre os mais belos no coração do homem: fazer com que a
pessoa que sofre se sinta amada. Em diferentes condições de carência e nas
necessidades de tantas pessoas, a vossa presença é a mão de Cristo estendida que
alcança a todos. Sois a mão de Cristo estendida: já pensastes nisso? A credibilidade
da Igreja passa de forma convincente através do vosso serviço com as crianças

abandonadas, os doentes, os pobres sem comida e trabalho, os idosos, os sem-
abrigo, os prisioneiros, refugiados e migrantes, as pessoas afetadas por desastres

naturais… enfim, onde quer que exista um pedido de ajuda, ali chega o vosso
testemunho ativo e desinteressado. Tornais visível a lei de Cristo: levar os pesos
uns dos outros (cf. Gal 6,2, Jo 13,34). Queridos irmãos e irmãs, tocais a carne de
Cristo com as vossas mãos: não esqueçais disso. Tocais a carne de Cristo com as
vossas mãos. Estai sempre prontos para a solidariedade, fortes na proximidade,
diligentes para despertar alegria e convincentes na consolação. O mundo precisa de
sinais concretos de solidariedade, especialmente diante da tentação da indiferença,
e exige pessoas capazes de opor-se com as suas vidas o individualismo: pensar só
a si mesmo, ignorando os irmãos em necessidade. Estai sempre contentes e cheios
de alegria pelo vosso serviço, mas nunca fazei dele um motivo de presunção que
leva a se sentir melhor do que os outros. Em vez disso, que a vossa obra de
misericórdia seja a prolongação humilde e eloquente de Jesus Cristo, que continua
a se curvar e cuidar daqueles que sofrem. O Amor, de fato, «edifica» (1 Cor 8,1) e
dia após dia permite que as nossas comunidades sejam um sinal da comunhão
fraterna. […]

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PAPA FRANCISCO ANGELUS

[…] É quanto se descreve na segunda parábola, na qual Jesus indica a atitude de
abnegação que deve caracterizar a hospitalidade; Ele diz assim: «Quando
ofereceres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás
feliz porque eles não podem retribuir-te» (vv. 13-14). Trata-se de escolher a
gratuitidade, em vez do cálculo oportunista que deseja alcançar uma recompensa,
que busca o interesse e que procura enriquecer-se ulteriormente. Com efeito os
pobres, os simples e aqueles que não contam nunca poderão retribuir o convite
para uma ceia. Assim Jesus demonstra a sua preferência pelos pobres e excluídos,
que são os privilegiados do Reino de Deus, e lança a mensagem fundamental do
Evangelho, que consiste em servir o próximo por amor a Deus. Hoje Jesus faz-se
voz de quantos não a têm, dirigindo a cada um de nós um apelo urgente a abrir o
coração e a fazer nossos os sofrimentos e os anseios dos pobres, famintos,
marginalizados, refugiados, derrotados da vida e daqueles que são descartados
pela sociedade e pela prepotência dos mais fortes. E na realidade estes descartados
representam a esmagadora maioria da população. […]

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DO SUMO PONTÍFICE FRANCISCO com a qual se institui o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral

[…] Portanto, a fim de implementar a solicitude da Santa Sé nos âmbitos
mencionados, bem como com aqueles relacionados com a saúde e as obras de
caridade, instituo o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
Este Discastério terá competências de modo particular nas áreas relacionadas com
as migrações, com os necessitados, os enfermos e excluídos, os marginalizados e
as vítimas dos conflitos armados e desastres naturais, os encarcerados, os
desempregados e as vítimas de qualquer forma de escravidão e de tortura. […]

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PAPA FRANCISCO ANGELUS

Bom dia, amados irmãos e irmãs!
[…]No cumprimento da sua missão no mundo, a Igreja — ou seja, todos nós que
somos a Igreja — tem necessidade da ajuda do Espírito Santo para não se deter
pelo medo nem pelo cálculo, para não se acostumar a caminhar dentro de limites
seguros. Estas duas atitudes levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que nunca
corre riscos. Ao contrário, a intrepidez apostólica que o Espírito Santo acende em
nós como um fogo ajuda-nos a superar os muros e as barreiras, torna-nos criativos
e estimula-nos a pôr-nos em movimento para percorrer inclusive caminhos
inexplorados ou desalentadores, oferecendo esperança a quantos encontramos.
Mediante este fogo do Espírito Santo somos chamados a tornar-nos cada vez mais
comunidades de pessoas orientadas e transformadas, cheias de compreensão,
pessoas com um coração dilatado e com um semblante jubiloso. Hoje mais do que
nunca há necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fiéis leigos com o olhar
atento do apóstolo, para se comover e para se deter diante das dificuldades e das
pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização
e da missão com o ritmo purificador da proximidade. É exatamente o fogo do
Espírito Santo que nos leva a tornarmo-nos próximos dos outros: das pessoas que
sofrem, dos necessitados, de tantas misérias humanas, de tantos problemas, dos
refugiados, dos deserdados, daqueles que sofrem. Aquele fogo que deriva do
coração. O fogo![…]

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CARTA DO PAPA FRANCISCO POR OCASIÃO DO BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DA REPÚBLICA ARGENTINA

[…] De modo particular, desejo estar ao lado de quantos sofrem: os doentes,
quantos vivem na indigência, os presos, quantos se sentem sozinhos, os que não
têm trabalho e experimentam todos os tipos de necessidades, quantos são ou
foram vítimas do tráfico, do comércio humano e da exploração dos seres humanos,
os menores vítimas de abusos e muitos jovens que sofrem o flagelo da droga.
Todos eles carregam muitas vezes o fardo pesado de situações limite. São os filhos
mais feridos da Pátria.[…]

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PAPA FRANCISCO REGINA COELI

[…] Antes de se separar dos seus amigos, Jesus, referindo-se ao evento da sua
morte e ressurreição, dissera-lhes: «Disto sois testemunhas» (v. 48). Isto é os
discípulos, os apóstolos são testemunhas da morte e da ressurreição de Cristo,
naquele dia, também da Ascensão de Cristo. Com efeito, depois de ter visto o seu
Senhor subir ao céu, os discípulos voltaram à cidade como testemunhas que com
alegria anunciam a todos a vida nova que vem do Crucificado Ressuscitado, em
cujo nome «se prega a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações» (n.
47). Este é o testemunho — oferecido não só com palavras mas também com a
vida diária — o testemunho que todos os domingos deveria sair das nossas igrejas
para entrar durante a semana nas casas, nos escritórios, na escola, nos lugares de
encontro e de divertimento, nos hospitais, nas prisões, nas casas para idosos, nos
locais cheios de imigrantes, nas periferias da cidade… Devemos oferecer este
testemunho todas as semanas: Cristo está connosco; Jesus subiu ao céu, está
connosco; Cristo é vivo! […]

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SANTA MISSA COM SACERDOTES, RELIGIOSAS E RELIGIOSOS, LEIGOS CONSAGRADOS E SEMINARISTAS DA POLÓNIA HOMILIA DO SANTO PADRE

[…] Por fim, no último versículo que ouvimos, fala-se de um livro: é o Evangelho,
onde não foram escritos muitos outros sinais realizados por Jesus (v. 30). Depois
do grande sinal da sua misericórdia – poderíamos supor –, já não foi necessário
acrescentar mais. Mas há ainda um desafio, há espaço para sinais feitos por nós,
que recebemos o Espírito do amor e somos chamados a difundir a misericórdia.
Poder-se-ia dizer que o Evangelho, livro vivo da misericórdia de Deus que devemos
ler e reler continuamente, ainda tem páginas em branco no final: permanece um
livro aberto, que somos chamados a escrever com o mesmo estilo, isto é,
cumprindo obras de misericórdia. Pergunto-vos, queridos irmãos e irmãs: Como são
as páginas do livro de cada um de vós? Estão escritas todos os dias? Estão escritas
a meias? Estão em branco? Nisto, venha em nossa ajuda a Mãe de Deus: Ela, que
acolheu plenamente a Palavra de Deus na vida (cf. Lc 8, 20-21), nos dê a graça de
sermos escritores viventes do Evangelho; a nossa Mãe da Misericórdia nos ensine a
cuidar concretamente das chagas de Jesus nos nossos irmãos e irmãs que passam
necessidade, tanto dos vizinhos como dos distantes, tanto do doente como do
migrante, porque, servindo quem sofre honra-se a carne de Cristo. Que a Virgem
Maria nos ajude a gastarmo-nos completamente pelo bem dos fiéis que nos estão
confiados e a cuidarmos uns dos outros como verdadeiros irmãos e irmãs na
comunhão da Igreja, a nossa santa Mãe. […]

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VIA-SACRA COM OS JOVENS ALOCUÇÃO DO SANTO PADRE

«Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e
recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na
prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36).
Estas palavras de Jesus vêm ao encontro da questão que muitas vezes ressoa na
nossa mente e no nosso coração: «Onde está Deus?» Onde está Deus, se no
mundo existe o mal, se há pessoas famintas, sedentas, sem abrigo, deslocadas,
refugiadas? Onde está Deus, quando morrem pessoas inocentes por causa da
violência, do terrorismo, das guerras? Onde está Deus, quando doenças cruéis
rompem laços de vida e de afeto? Ou quando as crianças são exploradas,
humilhadas, e sofrem – elas também – por causa de graves patologias? Onde está
Deus, quando vemos a inquietação dos duvidosos e dos aflitos na alma? Há
perguntas para as quais não existem respostas humanas. Podemos apenas olhar
para Jesus, e perguntar a Ele. E a sua resposta é esta: «Deus está neles», Jesus
está neles, sofre neles, profundamente identificado com cada um. Está tão unido a
eles, que quase formam «um só corpo».
Repassando a Via-Sacra de Jesus, descobrimos de novo a importância de nos
configurarmos a Ele, através das 14 obras de misericórdia. Estas ajudam-nos a
abrir-nos à misericórdia de Deus, a pedir a graça de compreender que a pessoa,
sem misericórdia, não pode fazer nada; sem a misericórdia, eu, tu, nós todos não
podemos fazer nada. Comecemos por ver as sete obras de misericórdia corporais:
dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar
pousada aos peregrinos, visitar os enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos.
Gratuitamente recebemos, demos gratuitamente também. Somos chamados a
servir Jesus crucificado em cada pessoa marginalizada, a tocar a sua carne bendita
em quem é excluído, tem fome, tem sede, está nu, preso, doente, desempregado,
é perseguido, refugiado, migrante. Naquela carne bendita, encontramos o nosso
Deus; naquela carne bendita, tocamos o Senhor. O próprio Jesus no-lo disse, ao
explicar o «Protocolo» com base no qual seremos julgados: sempre que fizermos
isto a um dos nossos irmãos mais pequeninos, fazemo-lo a Ele (cf. Mt 25, 31-46).

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ENCONTRO DE BOAS-VINDAS COM OS PARTICIPANTES NA JMJ DISCURSO DO SANTO PADRE

[…] ouso repetir: a misericórdia tem sempre o rosto jovem. Porque um coração
misericordioso tem a coragem de deixar a comodidade; um coração misericordioso
sabe ir ao encontro dos outros, consegue abraçar a todos. Um coração
misericordioso sabe ser um refúgio para quem nunca teve uma casa ou perdeu-a,
sabe criar um ambiente de casa e de família para quem teve de emigrar, é capaz
de ternura e compaixão. Um coração misericordioso sabe partilhar o pão com quem
tem fome, um coração misericordioso abre-se para receber o refugiado e o
migrante. Dizer misericórdia juntamente convosco é dizer oportunidade, é dizer
amanhã, é dizer compromisso, é dizer confiança, é dizer abertura, hospitalidade,
compaixão, é dizer sonhos. Mas vós… sois capazes de sonhar? [Sim!] Pois bem!
Quando o coração está aberto e é capaz de sonhar, há lugar para a misericórdia, há
lugar para acarinhar os que sofrem, há lugar para aproximar-se daqueles que não
têm paz no coração, carecem do necessário para viver, ou falta-lhes a coisa mais
bela: a fé. Misericórdia.[…]